Monthly Archives: Março 2015

Happily ever after…

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ciderella wedding 1

O (único) vestido de noiva da Cinderella

 

Será que viveram mesmo felizes para sempre? Todos aqueles casais de príncipes e princesas dos contos de fadas, que passaram por grandes tormentas para ficarem juntos: será que durou? Será que a Aurora não se cansou do feitio brincalhão do Filipe? A Ariel das viagens intermináveis do Eric? Ou a Branca de Neve: o que é que ela conhecia do príncipe, afinal? Casa-se com o primeiro gajo que nos salva de uma maçã envenenada? Afinal, o que ele fez qualquer socorrista do INEM faria… 😉 Na vida real, no dia a dia, há loiça para lavar, rabiosques para limpar, viagens – e bagagens – para planear. Há supermercado, IRS, natação, aniversários… Como seria a vida destas princesas nos dias de hoje?

E desmancha-prazeres, não? Queremos lá saber do dia-a-dia, porque os contos servem para isso mesmo: para nos transportar para fora da rotina, e fantasiar com uma vida diferente, cheia de bailes e vestidos de sonho. E por falar em sonho… este vestido de noiva não é lindo? Só teve direito a 2 cenas finais no novo êxito da Disney, levou 550 horas de trabalho a 16 pessoas, foi pintado à mão, chegou a pegar fogo (true story!), mas cumpriu 100% a sua missão de encantar as meninas e  mães – e FIY, existe uma versão para as nossas piquenas na loja da Disney. Caríssima, mas isso não vem ao caso, certo?

cinderela baile

Um dos primeiros esboços “DO” vestido!

 

E como foi vestir estes personagens? Sandy Powell, vencedora de três Oscares da Academia de Hollywood, e que foi responsável pelo guarda-roupa de filmes como “Entrevista com um Vampiro”,  “Shakespeare in love”, “Gangs of New York” ou “O Aviador”, conhece bem as dificuldades que podem surgir no processo de construção de um guarda-roupa de época, e este não foi exceção. Inspirando-se nos fantásticos guarda-roupas dos filmes realizados na década de 50, mas que pretendiam retratar o século XIX, a designer procurou imbuir as peças de pormenores modernos (os padrões, as texturas, os acessórios), sem perder de vista os cortes tradicionais (pensem nos filmes da Imperatriz Sissi, com Romy Schneider, e chegam lá) e as influências bucólicas da Inglaterra rural vitoriana, bem marcadas nas cenas de abertura.

Vogue-Stepmother-Cate-Blanchett

Madrasta e filhas, com cores ácidas e vibrantes…

 

Powell admitiu à Vogue que a parte mais divertida do seu trabalho é vestir os maus da fita, já que os heróis são mais difíceis. O realizador – Kenneth Branagh – deu-lhe bastante espaço de manobra, e o facto de conhecer bem Cate Blanchett, com que trabalhou noutras ocasiões, foi fundamental. Aliás, a atriz afirma mesmo que parte do seu trabalho de preparação para os papéis que encarna se baseia nas roupas que veste, e o magnífico trabalho de Powell faz com que sinta necessidade de se esforçar para “estar à altura”. Para a madrasta, a designer escolheu o verde (cor da inveja), em tecidos brilhantes e luxuosos, e acessórios dourados com pedrarias escuras. Para as irmãs, as cores eleitas foram o rosa e o amarelo em tons fortes, conjugados em conjuntos vistosos e “apalermados”: no fundo, o objetivo era fazê-las parecer ridículas. E por mim conseguiram!

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Para Lily James, Powell teve de pensar “fora da caixa”, já que a iconografia da Disney põe a nossa heroína em trajes muito simples, e mesmo esfarrapados, em quase toda a história, o que não batia certo com a ideia de Cinderella que a designer tinha interiorizado – e com o guião. “Queria um vestido que fosse bonito e, com o tempo, parecesse gasto e cansado”, tal como a personagem. E o azul do vestido do dia-a-dia faz a ligação com o azul intenso DO VESTIDO de baile. AQUELE vestido (nove versões dele, pelo menos, com 18 pessoas a trabalhar e 500 horas de trabalho em cada). E foi também “O” vestido que deu a Lily James o empurrão final que a atriz precisava para as suas cenas. “Quando o vesti senti-me aterrorizada e, ao mesmo tempo, maravilhada. Aí percebi exatamente o que a Cinderella teria sentido na ocasião.”

Disney-Cinderella-Shoes

E o sapato? Uma maravilha das tecnologias digitais, pensam vocês? Nem por sombras! A designer teve na Swarowski – quem mais? – um poderoso aliado na criação de oito (!) pares de sapatos verdadeiros, quase mágicos, em tamanho real, cuja inspiração foi um par de sapatos antigo, que Powell encontrou num museu inglês. Adicionem-lhe uma borboleta dourada, o brilho do cristal e, “Bipitty Bopotty Boo!”, cá estão eles! Não dão para andar – ao contrário do que afirma a fada madrinha – mas são bem catitas! Em 2012, em antecipação da produção do filme, vários designers fizeram a sua interpretação do “sapatinho de cristal” – e Christian Louboutin foi um deles. É o mais próximo que alguma vez alguma mulher estará do seu momento Cinderella – digo eu – mas podem também tentar ver a exposição itinerante da Disney, com muitos dos elementos do guarda-roupa e cenários, se a apanharem numa cidade perto de vós!

Até já!

Créditos: Vogue, Blogs.Disney, VanityFair

 

 

Conto de Fadas

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Lily James e Richard Madden como Ella e o Príncipe, no novo filme Disney

Lily James e Richard Madden como Ella e o Príncipe, no novo filme Disney

Spoiler Alert! 🙂

Quando dizemos “quero um vestido de princesa”, é nela que pensamos: Cinderella, a “Gata-Borralheira” que – por artes mágicas e amor à primeira vista – se transformou em princesa. Não há sonhos de baile de gala cujos vestidos não respeitem a regra: quanto mais tule, melhor. E os sapatos de cristal? Foi aqui que o nosso gosto pelo colecionismo começou…

A nova produção da Disney vai encantar as meninas que sonham em ser princesas, sobretudo pelos cenários, e guarda-roupa, mas preparem-se para algum sofrimento até lá: 3 mortes de pais, uma madrasta do piorio (a Cate Blanchett é a maior!), roupa para lavar, tachos para arear. Alguns buracos da história original são explicados, mas o guião não foge ao conto de fadas – e é politicamente muito correto. Algumas cenas engraçadas, outras ternurentas, os atores a cumprirem bem a sua missão – e o guarda-roupa também. Afinal, a escolha do azul cerúleo para o vestido da nossa heroína não é aleatória. É esta a cor que a faz sobressair da multidão, que lhe confere a honestidade, bondade e inocência que se pretende. E que lhe fica a matar.

E a estrutura desta obra de arte? várias camadas de tule e seda, em vários tons de azul, que lhe conferem um tom único. E as borboletas? O toque final de pureza. Vejam os pormenores…

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Uma espreitadela à parte de trás do vestido…

 

E o retrato do casal real, em pleno baile – reparem que a farda de gala do príncipe complementa o vestido do seu par, com pormenores nos punhos e na gola…

Cinderella e o Principe, no baile...

Cinderella e o Principe, no baile…

Para breve, uma espreitadela ao vestido de noiva da Cinderella, outra obra-prima da Direção Artística do filme, e mais alguns pormenores engraçados sobre todo o processo de vestir estas personagens…

Até já!

Créditos: Vogue.com

 

Zoolander @ Paris

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Se não virem mais nenhuma imagem da semana da moda de Paris, não faz mal. Esta chega:

Os personagens Derek Zoolander (Ben Stiler) e Hansel (Owen Wilson) fecham o show da Maison Valentino.

Os personagens Derek Zoolander (Ben Stiler) e Hansel (Owen Wilson) fecham o show da Maison Valentino.

Já haviam alguns “zunzuns” no ar, mas a aparição dos dois atores, totalmente em compenetrados nos respetivos personagens, na passerelle da casa Valentino, dissipou as dúvidas. “Zoolander 2” vai mesmo acontecer, e parece que estreia lá para Fevereiro de 2016. Para além do desfile, os atores foram vistos em locais bem conhecidos pelos habituées da semana da moda de Paris, exibindo criações de alta costura, tirando selfies e confraternizando com a nata da Moda mundial – Anna Wintour incluída

Até já!

Pérolas a… ladrões? Edição Óscares 2015

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Solange, irmã da Beyonce, recebe o prémio de "Eu sei que vocês não percebem, mas eu percebo, e ela está o máximo". (design de Christian Siriano)

Solange, irmã da Beyonce, recebe o prémio de “Eu sei que vocês não percebem, mas eu percebo, e ela está o máximo” (em Christian Siriano)

Anos houve em que ficava acordada até às belíssimas 4 da matina para ver a cerimónia dos Óscares. Pelos filmes vencedores e pela cerimónia em si uma mega produção que me divertia a desmontar, imaginando o tamanho e a especificidade da equipa por detrás da “máquina”. Mais tarde, veio a transmissão da red carpet – com a explosão das revistas de “celebridades”, dos sites de auto-proclamados “cronistas sociais”, dos blogs, com a globalização da “cusquice” – que se tornou quase tão importante como o evento em si. Só para terem uma ideia, passou de 30 minutos para 1h30, a partir de 2011, e tem direito a uma entrada própria na Wikipédia. E a pergunta “o que está a usar?” tornou-se na mais ouvida nas duas horas que antecedem o espetáculo.
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